sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Ter e ser

Esse meu corpo pesado 

E a minha alma (des) cansada
Não pertencem a mim.

Não sou dono de nada
Nem da roupa que me cobre
Nem das flores do jardim!

Sou, contudo,
Parte de tudo.

Sou o fio do novelo
Que tece a teia do universo
Sou matéria das estrelas
Semeada a céu aberto...

Sou essência condensada
Sou semente emprestada
Desse chão que me brotou!

São João Del-Rei, 15/07/2009

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Filhos da Terra

Quantos caminhos se constroem
Na estrada de ida da vida?
Rasga-se as entranhas da Terra
Extrai-se seu ouro e sua essência
Faz-se colares, adorna-se os povos
E guarda-se as joias nos cofres!

Os rios lacrimejam de dor
Carreando antes do tempo
Sua essência em suspensão!
Quem é aquele (ou aquilo) que passa,
Na velocidade da ambição coletiva?
Onde estamos, aonde vamos?
Ou será que o bonde já passou!...

São João del-Rei, 15/01/2015

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Imagem do jornal

O Papa calmamente
Com uma bolsa na mão
Escala as escadas do avião!
Volta-se sutilmente
E acena santamente
Para o mundo cristão

(Ou não!...)

O que leva naquela bolsa
Rumo a sua nova jornada?
Seria uma camisa surrada
Ou a esperança renovada?


São João del-Rei, 15/01/2017 

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Ano velho

Enquanto o tempo passa
Não vemos o ano passar!
O ano não é tempo
É um emaranhado de afazeres!

Talvez seja um manto
Que embrulha sem distinção
Cada promessa além do tempo!

Então vem novembro,
E nos diz meio sem graça
Que se aproxima o dezembro!

E rasgando o calendário
Faxinamos da memória
O que não virou história!

Meu Deus!
Exclamamos complacentes:
Como o tempo passa,
Como o ano voa!


São João del-Rei, 27/12/2017

domingo, 5 de novembro de 2017

Volta e meia

Meu coração serpenteia
Cavalgando a solidão
Sem rumo e trilhas se norteia
Pelo fogo da paixão
A volúpia que corre nas veias
Em sentido contramão
Vem de longe e volta e meia
Esbraseia o coração.

Meu coração se arqueia
Ao peso da solidão
Nas trilhas escuras tateia
As cinzas da paixão
A volúpia que resta nas veias
Voa feito um alazão
Campeia à trote e volta e meia
Desarrima o coração!
        

Boa Vista, 23/10/2003.

domingo, 8 de outubro de 2017

Tempo de Plantar

Quando a chuva não vem e as folhas murcham
O tempo pede paciência
E as noites são longas!
Quando a chuva chega e as folhas brotam
O tempo segue paciente
E os dias renascem!

Assim, não lute pelo sol,
Porque é luta infrutífera!
Nem mesmo lute pela chuva,
Porque é luta infecunda!

Não deixe,
Todavia,
De lutar!

Lute com força e valentia
A peleja imperativa...
Lute pelos frutos de amanhã
Nas sementes do hoje em dia!


São João del-Rei, 08/09/2017

sábado, 19 de agosto de 2017

Mistérios

O oceano que banha
Do meu eu as entranhas
Guarda vidas estranhas
E revela os seres que sou.

Quantos de mim vivem na água?
Quantos na terra e no ar?
Será vida o que sinto
Ou será sonho
Acordado
Antes de o sono chegar?

Que mistérios ocultam
Fragmentos a pensar?
Tudo é terra, tudo é mar,
Tudo é átomo no ar
E minha alma condensa
A consciência em essência
Dessa matéria densa
Livre e leve
A bailar!

Boa Vista, 29/07/2003 (publicado em 24/02/2011)