domingo, 5 de novembro de 2017

Volta e meia

Meu coração serpenteia
Cavalgando a solidão
Sem rumo e trilhas se norteia
Pelo fogo da paixão
A volúpia que corre nas veias
Em sentido contramão
Vem de longe e volta e meia
Esbraseia o coração.

Meu coração se arqueia
Ao peso da solidão
Nas trilhas escuras tateia
As cinzas da paixão
A volúpia que resta nas veias
Voa feito um alazão
Campeia à trote e volta e meia
Desarrima o coração!
        

Boa Vista, 23/10/2003.

domingo, 8 de outubro de 2017

Tempo de Plantar

Quando a chuva não vem e as folhas murcham
O tempo pede paciência
E as noites são longas!
Quando a chuva chega e as folhas brotam
O tempo segue paciente
E os dias renascem!

Assim, não lute pelo sol,
Porque é luta infrutífera!
Nem mesmo lute pela chuva,
Porque é luta infecunda!

Não deixe,
Todavia,
De lutar!

Lute com força e valentia
A peleja imperativa...
Lute pelos frutos de amanhã
Nas sementes do hoje em dia!


São João del-Rei, 08/09/2017

sábado, 19 de agosto de 2017

Mistérios

O oceano que banha
Do meu eu as entranhas
Guarda vidas estranhas
E revela os seres que sou.

Quantos de mim vivem na água?
Quantos na terra e no ar?
Será vida o que sinto
Ou será sonho
Acordado
Antes de o sono chegar?

Que mistérios ocultam
Fragmentos a pensar?
Tudo é terra, tudo é mar,
Tudo é átomo no ar
E minha alma condensa
A consciência em essência
Dessa matéria densa
Livre e leve
A bailar!

Boa Vista, 29/07/2003 (publicado em 24/02/2011) 

domingo, 6 de agosto de 2017

Tempo de amar

A vida vale a vida vivida
Vale o sonho acordado
E os caminhos abertos
Atrás de cada passo

Vale a certeza da chegada
Embora sem saber aonde
Vale o suor estampado
No rosto encharcado
Entalhado de alegria

Vale o olhar perdido no horizonte
Que baila ao ritmo de cada passo
Construindo a sabedoria

Vale o tempo que não veio
Vale o tempo que virá
Vale, acima de tudo,
Esse tempo de amar!


São João del-Rei, 01/08/2017

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Aurora

Em forma de folhas ao vento
Flutuam pensamentos sem direção
Sobrevoam planícies encharcadas
Quebrando sementes dormentes

E faz germinar mentes viçosas
Reciclando a paisagem matutina
Bem antes do romper da aurora.

Aurora... Nova aurora!
Levanta incandescente e sem pressa
Esculpindo na penumbra rósea
Horizontes trêmulos e sem culpas
Que escapam serenos das mentes.



São João del-Rei, 13/03/2011

domingo, 30 de julho de 2017

Holismo

O cosmos é ali
Bem em frente
Distante
Passo atrás
No presente!

Sou o cosmos
E o futuro prá ser feliz
Foi ontem!

Hoje
Sou estrela
Só estrelas!
Poeira cósmica
Átomo divisível
Repartido, multifacetado
Buscando no sol da manhã
A efêmera garantia
De vida eterna
Eternamente,
Efêmera!


São João del-Rei, 30/07/2017  

terça-feira, 7 de março de 2017

Mulher

Poderia chamar-te de flor,
Fosse a flor inacabável
Poderia chamar-te de amor,
Fosse o amor inabalável

Posso, contudo, chamar-te de mãe,
Porque tens o dom de gerar!
E sendo mãe chamar-te de flor
Porque tens o dom de adornar!
E sendo flor chamar-te de amor
Porque tens o dom de encantar!

E em meio às tarefas e agendas
Desejos, filhos e contendas,
A roda viva desvenda-te
Uma lágrima no olhar!

Paras de súbito ante o espelho
Entre o batom e o salto alto
Faze-te confusa em sobressaltos
Em frente aos tantos papéis
Que a vida te obriga a viver.

E por seres forçada a escolher
Abdicas de outros quaisquer...
Ostentas por legítimo prazer
O teu pulcro papel de mulher!


Boa Vista, 05/03/2004 (uma homenagem a todas as mulheres pela passagem do dia internacional da mulher)