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sábado, 29 de dezembro de 2012

O senhor dos tempos


Que o novo ano não seja o melhor

Pois seria um farol encantado

A iluminar nosso passado!

Que seja, apenas, bom!

Quiçá, muito bom!

E nos permita que alcancemos

Tudo o que merecermos!


Que não realize todos nossos sonhos...

Pois traria o futuro ao presente

Mente vazia... Mente indolente!

Que seja, apenas, próspero,

Quiçá, muito próspero!

E nos permita que colhamos

Tudo o que plantarmos!


Que não nos traga tudo de bom

Pois aplainaria nossos caminhos

E enrijeceria os horizontes!

Que seja, apenas, justo,

Quiçá, muito justo!

E nos permita vales e montanhas

Em escalas superáveis!


E, assim, nos permita entender:

Que as horas de lazer

Sejam horas de lazer

Que as horas de labor

Não sejam horas de sofrer!


E por fim,

Nos passe às nossas mãos

O comando das horas!

E façamos a vida fluir,

Serenamente,

Em nossas mãos!

Meaípe, 29/12/2012

sábado, 15 de dezembro de 2012

São João dos Sinos

Os sinos da minha terra
Nos meus ouvidos ecoam
Na minha mente ressoam
Repicando em cada monte.

Espalham-se vales afora
E em uníssonos entoam:
São João de outrora,
São João de agora:
Dos ouros e tesouros,
Da eterna serra do Lenheiro,
Do alferes mártir Tiradentes
E de lendários confidentes.

Hoje novos inconfidentes
Altivos cantam e contam
As glórias da sua história.
História de lutas tantas
Edificadas... petrificadas
Na fé devota e Santa
De renovadas memórias.

Memórias das terras do el Rei
Gravadas em adágios e lembranças
De longe alentam esperanças
Dos velhos sinos ausentes
Em novos carrilhões...
Presentes!

Boa Vista, 19/02/2003.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O ciclo do amor


Amar é deixar o vento soprar
Mesmo quando resfria nossas almas
Porque depois da curva
Ele suaviza-se em brisa
E acalma outros corações. 

Amar é indicar caminhos
Mas não torná-los únicos
E permitir estradas de volta
Nas idas e vindas sem voltas.

E quando o peito apertar
E o amor insistir em partir
Amar é saber que o amor
Acabou-se enfim
Porque o fim
É o fim de tudo,
Inclusive,
Dos amores sem fim! 
São João del-Rei, 06 de agosto de 2012

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Cacos da alma

Minha alma acanhada

Reinventa a poesia
Naquilo que são cacos.

Os cacos se juntam

E a louça emendada
Disfarça cicatrizes
Na superfície lisa
Da alma trincada!

Várzea da Palma, 31/05/2005

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Investida


 

Uma abelha revoou num impulso

E atrevida pousou no meu pulso.

 

Sugou o meu sangue adocicado

Rodopiou em ziguezagues

Na direção do zangão

Estatelado

Copulado

E condenado à vida

Sem sopro de vida.

 

Sem sol, sem colméia,

Sem favo e sem mel

Sem esperança de vida

Em meio à promessas

Repletas de vidas!

 
Boa Vista, 20/05/2005.

domingo, 22 de julho de 2012

Luz e tempo

As luzes que refletem a vida
São filhas do mesmo sol
Sol que nasce, que morre
E nasce e morre
E escorre... e renasce!

Assim como a vida,
Que corre na direção
Dum tempo que ainda vem!
E transforma o tempo que já foi
Em um tempo qualquer,
Em tempo nenhum,
Em tempo algum!

Em tempo que nasce
E renasce como o sol
Da nova manhã...
De outro amanhã!

Sao Joao del-Rei, 22/07/2012

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Hiato

A cor do sol é o gosto da vida
Vida em agosto
Há cores em agosto
Há gosto em agosto!
Setembro é futuro
Boca cheia d’água,
Esperança!
Pode ser que venha
E em se vindo
Que venha à gosto
E se não vier
Agosto é bastante
Para a vida ter gosto.

Boa Vista, 23/06/2012.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pensam que sou

Um campo em flores
Um campo minado
Um campo sagrado
Um campo de bolas
Em campo o meu time.

Um silvo de cobra
Um réquiem recobra
Um sino que dobra
Um apito manobra
O alarido que sobra.

Só sou o que fui
Serei só o que sou
Um retrato sem tela
Pendurado na mente.

O passado e o futuro?
Incógnitos presentes!...

Boa Vista, 21/08/2003
(do livro: Outra Estrada Qualquer)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Por onde andei?

Esses anos
Longos e breves anos
Os passei asilado
Exilado
Sob densa penumbra
Dos pesados ponteiros
Precisos nas horas
Dos leves relógios

Relógios de impulso
Relógios biológicos
Acorrentando em meus pulsos
Um tempo que não vivi.

E daí,
Eu não vi
O meu filho crescer.
Nem vi florescer
No quintal do meu quintal
A minha árvore proibida
De fartos frutos proibidos.

Ah... Nem mesmo sei
Se inspirei ou expirei.
Apenas esperei... 

Acordei
E senti respingar
Gotas irrefragáveis
De rudes atrofias

Reparei...
Irreparáveis!

Várzea da Palma, 11/07/2005
(do livro: Ruas Abertas, Portas (e mentes) Fechadas

domingo, 13 de maio de 2012

Para sempre

Das minhas entranhas
Surgem estranhas
Deduções
Que me deixam desconfiado
Sem saber se estou errado
Ou certo, pode ser!

O que de certo eu sei
É que os monstros desgarrados
Ainda povoam minhas infâncias
Pelas próximas e eternas
Eternidades...

Boa Vista, 26/08/2004

(do livro: ControVersus)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Heranças

Trago em mim
Um pouco de mim
E muito de história.
As competências que tenho
Não as tenho na memória...

Sou histórico-social
Sou também ser cultural
E trago expectativas passadas
Em referências tatuadas
Estampadas no futuro!

Manaus, 24/03/2004

(do livro: O Sol de Cada Dia em Cada Dia)

sábado, 21 de abril de 2012

Ponto de vista

De um ponto de vista
A ciência revista
E avista no escuro
Um facho obscuro
Rasgando em luzes
Um buraco negro.

No fim de tudo
Onde a vida termina
Onde a matéria termina
Onde tudo termina,
A poeira em essência
Explode e restaura
Um desfile apoteótico
Que levanta e estremece
A eterna avenida...

Várzea da Palma, 28/04/2005
(do livro CONTROVERSUS)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Impropriedade

Versos são filhos
Crescem e se vão
Em busca de afetos
Sob tetos descobertos.

Trazem-nos por certo
Desejados e esperados
Netos irrequietos
Atrevidos, por que não?
Que nos adulam carinhosos
E nos chamam de meu pai.

Mas como os filhos legítimos
Quebram laços indissolúveis
Celebrados nos primórdios
Antes da própria gênesis.

E se lançam destemidos
No mundo profundo,
Orgulhosos filhos do mundo
Bravos filhos de si mesmos!

Belo Horizonte, 12/01/2005
(do livro: CONTROVERSUS)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Lua de prata

A lua em Belo Horizonte
Vista da minha janela
É mágica e é bela
Como o é quando vista
Do resto que ainda resta
Da Serra do Curral.

Ainda hoje pelas ruas
Sobre ônibus rodando
Vi meninos surfando
O que lhes resta rifando
Dessas longas vidas breves.

A lua, certamente,
Não se faz conivente
E nem mesmo indiferente.

Belo Horizonte, 15/06/2000

(Do livro: Pássaro que vai... E que volta)

domingo, 1 de abril de 2012

Receitas

Eu não sei o que fazer
Nem o que tenho que fazer
Sei, contudo, que tenho
Que fazer o que fazer...

Amanhã o sol renasce
E a caminhada contínua
(...continua ou termina!)
Cristalina como o sol
Imprecisa como a vida.

A caminhada é certa
A receita  não é certa
A vida certa é incerta
E precisa dar certo!

Meaípe, 01/04/2012.

domingo, 25 de março de 2012

Em evidência

Aplausos,
Palmas e ovações,
Vivas!... E aclamações!...

Os holofotes têm direção certa
E penetram feito setas
Nos corações desatentos

Boa Vista, 04/04/2004

(do livro: O sol de Cada Dia... Em Cada Dia)

terça-feira, 20 de março de 2012

Descaso

Um caminhão desgovernado invadiu a contramão
Atropelou um cachorro vadio
(que se estampou nas redes e jornais)
E um sem rosto maltrapilho

A vida em sua mão seguiu em frente
Serena afastou-se do cenário tétrico
E arrastou sobre trilhos assimétricos
A multidão sem cara e sem dormentes.

São João del-Rei, 13/05/2009

quarta-feira, 14 de março de 2012

Percepção

As utopias fragmentaram-se
E o velho mundo novo e caótico
Programou-se sem escrúpulos
Na (rigidez) dum mestre-de-obras
Que baila sobre frouxos andaimes
Moldurando estátuas animadas
Tatuadas em crepúsculos virtuais!

Meaípe, 30/12/2008.

domingo, 11 de março de 2012

Em meus olhos

A saudade bem sei não existe
É mera invenção, criação oriunda,
Dessa indócil mente fecunda...

Inerte, contudo, se aprofunda,
E aperta forte o meu peito.
Faz brotar com pouco jeito
Águas rasas em meu olhar...

E os tempos alegres de outrora
Insistem nos tempos de agora
Em decretar sem compaixão
Um toque triste pro meu coração!

Boa Vista, 18/06/2004

(do livro: De Néctar e de Flores... Inversus de Amores)

domingo, 4 de março de 2012

Deleites

Um vaga-lume

Intermitentemente

Pisca aceso no seio

Ardente dos teus seios.

E clareia inconseqüente

As batidas secretas

Batidas irrequietas
Dos teus corações

Nossos corações
Corações vulgares
Vadios a vagarem
Nos ocultos altares
Em cultos aos prazeres!

Um vaga-lume
Incandescentemente
Ilumina inocente
As rendas que arrendam
Os contornos delirantes
Dos delírios ofegantes
Envoltos em deleites!

Boa Vista, 13/10/2004

(do livro: Pequenas e Antigas Histórias de Amor)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Afirmação

Negação
O sim pelo não
Invertida ação
Ação convertida
No inverso do não
Em ato ordinário
Verdadeiramente
Extraordinário.

Boa Vista, 05/10/2004

(do livro: ControVersus)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Banquete virtual

A carne é fraca, mas a alma resiste
A alma fraqueja quando a fome persiste
A miséria se acalma quando a esperança insiste
Que a vida feliz consiste
Em conformar-se e viver
E conformado ser
Sem querer ser
Um ser
Feliz!

Várzea da Palma, 06/03/2006

(do livro: Ruaa Abertas, Mentes e Portas Fechadas)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Responsabilidade protelada

A campainha avisou-me
Que o padeiro passou
Dirigi-me ao portão
Nada de pão...

No chão

Uma criança amedrontada
Pela fome encorajada
Encolhida qual bicho
Estendeu-me sua mão

Na incerteza de um pão
Com a certeza, porém,
De um sonoro não!

Manaus/São Paulo, 18/12/2003

(do livro: O Sol de Cada Dia... Em Cada Dia)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Contextos

As palavras
Criam textos
E norteiam espíritos
Nutridos do que falamos.

Os textos,
Ajustam contextos,
E doutrinam pensamentos
E, por conseqüência,
O que somos e vemos,
E tudo o que vivemos.

Contextos edificam o dia a dia
E personificam as fantasias
Resultantes de histórias
Escritas nas memórias.

Boa Vista, 29/06/2004.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Arritmia




Meu coração se alvoroça
Em ler nos jornais
Que o tempo
Parou...

Só o meu coração
Não parou!
Sobrevive.
Sem marca passo
Em descompasso
E a um fio
Da arritmia!
Ainda bem
(deveria!...)
Que não sei mais
(eu soube um dia?...)
Qual é na essência
Da vida a cadência?!...

Boa Vista, 26/02/2003

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Sonhos (im)possíveis

Eu queria falar de amor
Mas não me vejo capaz.
A terra perde os frutos
Como nós a esperança
Amores são frutos
E precisam de lembranças.

Eu preciso sonhar, amor!
Acho até que sou capaz.
A terra gera frutos
E com eles esperança
Amores e frutos,
Não me saem da lembrança.
  
Belo Horizonte, 20/11/1999.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O meu mundo

Sou marinheiro!
E se venho das Gerais,
Sou marinheiro mineiro.

Minha nau,
Ao invés de velas,
Tem asas, as mais belas!
E vôo com elas...
E vivo por elas...

Singro os ares
E aporto nos mares
Nos mais distantes e distintos,
Na estratosfera, inclusive!

Porque o mundo,
O verdadeiro mundo,
O encontro se eu o fizer,
Onde eu bem o quiser!

(do livro: De Néctar e de Flores... Inversos de Amores...)

Boa Vista, 26/06/2004

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Eternidade

Perpétuo é o vento
Que faz bailar os cabelos serenos

E brinca entre flores e jardins!

Perene é a rosa
Que perfuma o vento inquieto
E brinca entre folhas e espinhos!

Eterno é o passageiro
Que embarca na infinita viagem
E brinca hesitante sobre trilhos,
Infindáveis,

Andarilhos!

São Joao Del-Rei, 13/01/2012

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Cacos da alma

Minha alma despedaçada

Reinventa a poesia
Naquilo que são cacos.

Os cacos se juntam

E a louça restaurada
Disfarça as cicatrizes
Na superfície lisa
Da alma trincada!

Várzea da Palma, 31/05/2005

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O pao nosso cidadao

O pão nosso de cada dia
Meio-tosco, meio-cinzento
Em farinha e cimento

Nos dai hoje em novo dia,
Com sol temperado a cal
E rosto encharcado de sal

Sem peidade, no entanto,
Com dignidade, entretanto,
Atenção é prova de amor!

O pão nosso de todo dia
Deixai-nos amassá-lo, todavia,
Com a força das nossas mãos!

Boa Vista, 15;06;2003.